Nosso Amor

As Araucárias sempre nos chamaram atenção. Há nelas uma elegância discreta — não pedem espaço, mas permanecem. Resistem ao tempo, ao vento, ao frio, sustentadas por raízes profundas. E, com paciência, dão frutos. Talvez por isso nos sejam tão familiares.

Nossa história começou assim: próxima, quase evidente, mas ainda não percebida. Morávamos a poucos metros um do outro, na mesma esquina, conduzindo rotinas paralelas que, por algum tempo, apenas coexistiram. Até que, sem anúncio, os caminhos finalmente se encontraram.

Desde setembro de 2018, passamos a dividir a vida com naturalidade — entre períodos intensos e a tranquilidade dos dias comuns, que, pouco a pouco, ganham outro peso. Houve etapas exigentes, conquistas importantes, mudanças de ritmo. E, sobretudo, houve a constância silenciosa de estar ao lado.

Com o tempo, os detalhes foram se revelando. Há sempre espaço para uma boa taça de vinho — e, por precaução (ou hábito já consolidado), um saca-rolhas costuma nos acompanhar. O Cláudio, atento, raramente deixa algo exatamente como está: uma pitada de flor de sal aqui, o gorgonzola ali, quase como uma assinatura. A trilha sonora, por sua vez, permanece fiel — Engenheiros do Hawaii seguem ocupando o mesmo lugar de sempre, especialmente no carro.

Entre um gosto e outro, há também aquilo que nos cerca: as gravuras de Poty Lazzarotto, certas preferências que dispensam justificativa — como uva-passa e combinações agridoces — e pequenos hábitos que, sem esforço, passam a fazer parte. Foi a Camila quem apresentou ao Cláudio a sopa de agnolini, que encontrou seu lugar entre esses confortos silenciosos.

A Camila, inquieta e luminosa, está quase sempre alguns passos adiante — não no tempo, mas nos destinos. Há sempre uma próxima viagem sendo imaginada, organizada ou ao menos esboçada. Sua alegria é dessas que se espalha com facilidade, e, quando se percebe, já envolveu todos ao redor. O Cláudio, por sua vez, dedica-se com interesse particular a outros percursos: histórias da humanidade, geopolítica e diplomacia têm sobre ele um efeito curioso — capaz de suspender o tempo e, com certa elegância, alongar conversas que dificilmente terminariam por falta de assunto.

Há ainda algo que nos aproxima sem esforço: o gosto pelo frio. Talvez por isso, morar em Curitiba tenha um sentido próprio — um frio que, para nós, dispensa comparações.

O noivado, em outubro de 2024, em Zermatt, foi menos um marco e mais um reconhecimento — como se a vida, por um instante, apenas confirmasse o que já seguia em curso.

Seguimos, assim, como as Araucárias: firmes, com raízes que se aprofundam e um olhar tranquilo para o tempo que ainda virá. E escolhemos celebrar este momento de forma íntima, ao lado de quem faz parte da nossa história, para dar início — com leveza e alegria — ao que vem pela frente.